Oi, meu bebê. Você tem um ano e meio. Corre pela casa, puxa o rabo do Braddock, desce da cama sozinha segurando no edredom e deslizando até tocar seus pezinhos no chão, puxa o rabo do Brad de novo e depois dá um beijinho para pedir desculpas, corre pra procurar um livrinho e dar para alguém ler com você, faz caretinhas lindas quando está zangada, pisca os olhinhos com força, imita um macaco como o vovô José ensinou, toma café com leite fazendo gutiguti, fica apontando pra lua no céu mostrando como ela é linda pra gente, fala baixinho como se estivesse conspirando (com um dedinho levantado perto do rosto) quando escuta alguém se aproximando, me mata de amor cada vez que olha pra mim. Eu te amo muito além de nós.
Estou me sentindo mal, Pequena. São 4:27, estou em um carro indo pra B arra do Corda e você acordou há meia hora enquanto eu esperava o táxi para a rodoviária. Sua tia Day não conseguiu te acalmar porque hoje, assim como nos últimos dias, você está muito angustiada por mim e para mamar, talvez num pico do que chamam de "ansiedade de separação". Não quis leitinho, não quis sua tia e ficou pedindo "colinho da mamãe". A cada choro e lamento seu eu respirava fundo para me acalmar. Eu por fim apareci e comecei a te amamentar porque o taxista não chegava e decidi te levar até a rodoviária comigo. Quando abrimos a porta, uma cena surreal: o taxista estava dormindo em frente a casa da sua avó, talvez há pelo menos meia hora. Te devolvi pra sua tia, dei um beijinho, peguei minhas coisas e fui. Você ficou chorando e seu rosto perfeito era uma pintura de tristeza. Inconsolável você. Inconsoláveis nós. Agora já é de manhã, minha filha. Soube que quando você me viu sair ficou ...
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