Estou me sentindo mal, Pequena. São 4:27, estou em um carro indo pra Barra do Corda e você acordou há meia hora enquanto eu esperava o táxi para a rodoviária. Sua tia Day não conseguiu te acalmar porque hoje, assim como nos últimos dias, você está muito angustiada por mim e para mamar, talvez num pico do que chamam de "ansiedade de separação". Não quis leitinho, não quis sua tia e ficou pedindo "colinho da mamãe". A cada choro e lamento seu eu respirava fundo para me acalmar. Eu por fim apareci e comecei a te amamentar porque o taxista não chegava e decidi te levar até a rodoviária comigo. Quando abrimos a porta, uma cena surreal: o taxista estava dormindo em frente a casa da sua avó, talvez há pelo menos meia hora. Te devolvi pra sua tia, dei um beijinho, peguei minhas coisas e fui. Você ficou chorando e seu rosto perfeito era uma pintura de tristeza. Inconsolável você. Inconsoláveis nós.
Agora já é de manhã, minha filha. Soube que quando você me viu sair ficou repetindo e chorando "a mamãe foi embora" com o coração partido, e só se acalmou quando lhe explicaram que eu ia voltar. Então para se acalmar ficou repetindo "a mamãe vai voltar". Esse foi seu mantra por uns 10 minutos, quando enfim dormiu, e dizem que foi uma graça ver você de olhinhos fechados, já no berço, repetir quase dormindo: a mamãe vai voltar. A mamãe vai voltar. A mamãe vai voltar. Isso mesmo, sua pequena grande inteligente. A mamãe sempre vai voltar pra você. Daqui a a três dias a gente se abraça. Te amo infinito.
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