Seu dedinho indicador investiga as coisas. O desenho colorido da estampa do meu vestido. A formiguinha que passeia pelo chão. Um besouro (vivo!!!!) Que estava de barriga pra cima e não conseguia de desvirar. Eu gosto do seu olhar para as coisas.. é quase o de um especialista. De uma mecânica que examina uma peça, se lembrando mentalmente das conexões e circuitos que a fazem tentando especular em que ponto vai mexer para descobrir o problema do mau funcionamento. Não é um olhar apressado. Você vira e revira os pequenos objetos que cruzam seu caminho. Esses olhinhos meio acinzentados, meio verdes e quase azuis performam o olhar de quem sabe o que está vendo, estuda e analisa para dar seu parecer. Umas batidinhas para ver o ruído que faz contra a parede ou o chao. será que está ressoando certo contra a palma da sua mãozinha quando você faz assim? E se você passar com o dedinho (sempre ele), a música que faz sua pequena unha quase sempre suja (vive raspando tudo, obviamente) é irritante ou melódica? Seu olhar é inteligente, vivo, meticuloso, ponderado. Olhar de virginiana. Será que vai ser organizada como sua tia Dayane? Será que vai fazer uma análise generosa das escolhas que eu fiz para nós?
Estou me sentindo mal, Pequena. São 4:27, estou em um carro indo pra B arra do Corda e você acordou há meia hora enquanto eu esperava o táxi para a rodoviária. Sua tia Day não conseguiu te acalmar porque hoje, assim como nos últimos dias, você está muito angustiada por mim e para mamar, talvez num pico do que chamam de "ansiedade de separação". Não quis leitinho, não quis sua tia e ficou pedindo "colinho da mamãe". A cada choro e lamento seu eu respirava fundo para me acalmar. Eu por fim apareci e comecei a te amamentar porque o taxista não chegava e decidi te levar até a rodoviária comigo. Quando abrimos a porta, uma cena surreal: o taxista estava dormindo em frente a casa da sua avó, talvez há pelo menos meia hora. Te devolvi pra sua tia, dei um beijinho, peguei minhas coisas e fui. Você ficou chorando e seu rosto perfeito era uma pintura de tristeza. Inconsolável você. Inconsoláveis nós. Agora já é de manhã, minha filha. Soube que quando você me viu sair ficou ...
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