Em algum lugar na madrugada, eu te amamentava. E ficava daquele jeito bobo de todas as mães de meu tempo, te olhando, dividindo atenção um pouco entre você e a tela do celular para não cair no sono. Então, sentindo sua presença mais forte ainda em mim, te espiei de novo Aurora, e você abriu os olhinhos. Passeou então a vista ao redor até que olhou fixamente para mim e parou de mamar. Eu comecei a sorrir que nem uma boboca. E você vendo aquilo, bem de-va-ga-ri-nho, foi abrindo a boquinha, soltando meu seio, e dando o sorriso mais lindo de todos os sorrisos impossíveis que eu já ganhei na minha vida. Eu te amo, meu alvorecer.
Estou me sentindo mal, Pequena. São 4:27, estou em um carro indo pra B arra do Corda e você acordou há meia hora enquanto eu esperava o táxi para a rodoviária. Sua tia Day não conseguiu te acalmar porque hoje, assim como nos últimos dias, você está muito angustiada por mim e para mamar, talvez num pico do que chamam de "ansiedade de separação". Não quis leitinho, não quis sua tia e ficou pedindo "colinho da mamãe". A cada choro e lamento seu eu respirava fundo para me acalmar. Eu por fim apareci e comecei a te amamentar porque o taxista não chegava e decidi te levar até a rodoviária comigo. Quando abrimos a porta, uma cena surreal: o taxista estava dormindo em frente a casa da sua avó, talvez há pelo menos meia hora. Te devolvi pra sua tia, dei um beijinho, peguei minhas coisas e fui. Você ficou chorando e seu rosto perfeito era uma pintura de tristeza. Inconsolável você. Inconsoláveis nós. Agora já é de manhã, minha filha. Soube que quando você me viu sair ficou ...
Comentários
Postar um comentário