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Oi, meu amor!

E então teve essa noite de um dia quente, enfadonho, calorento. Lembra que de vez em quando você ouvia de dentro de mim alguém perguntar que dia você viria e eu responder que estava calor demais pra parir? No grupo de mamães e enfermeiras, dia 19 de setembro, em algum momento eu escrevi que você estava esperando uma chuva para vir ao mundo. Você se mexeu o dia todo Aurora, e assim que as gotinhas começaram a cair e eu comecei a sentir uma leve cólica por volta das 18:30, sabia que era você. 

Falei com a Tia Bruna e depois  com Tia Marcleide, que me pediu pra tomar um banho. Eu lavei os cabelos pra você me sentir cheirosa quando nascesse. Ela perguntou quem seria meu obstetra e falei que seria o plantonista, mas que se fosse necessário eu contrataria um. Mas também disse que não estava contando com essa necessidade. Ninguém conta com coisas dando errado, minha pequena, mas a gente deve se preparar para elas na vida... Então eu estava preparada mas ao mesmo tempo sentia que tudo daria certo. Tia Marcleide se arrepiou toda quando percebeu que eu tinha sido a grávida que falou que teria o bebê com a chuva, antes mesmo de seus primeiros sinais. Quando falei pra ela às 20:26 que tinha tido seis contrações em 15 minutos ela disse que estava vindo até nós. 

Eu fiquei tão feliz. Estava na casa da sua avó Alice e da Tia Dayane. Avisei seu pai que a hora tinha chegado e aguardei vocês. A cólica leve tinha ficado beeeeeeem grande, mas eu me deitei, respirei fundo e esperava passar. Tia Marcleide chegou, eu abri a porta pra ela e só então vovó e titia ficaram sabendo que você estava vindo. Ela me examinou, e disse bem baixinho: Já deu certo. E eu tive vontade de chorar de emoção. Papai chegou e ficou do nosso lado. Brad, nosso cachorro, veio pra perto. Várias músicas bonitas tocavam no celular pra gente ouvir, e às 21:00 começou a festa das contrações ainda mais dolorosas. 

Eu pedi algumas vezes pra ir ao banheiro, só sentava lá por pouquíssimo tempo e já queria deitar de novo. Vomitei e quase que seu pai e Marcleide escapavam ilesos. Quaaase. A dor vinha e eu queria deitar. Seu pai me abraçava e era torturado, mas conseguiu escapar sem nenhum dedo quebrado. Brad subiu na cama e ficou um pouquinho comigo, antes de assustar tia Marcleide (acho que ela tem medo de cachorros kkkk). Sua avó, muito nervosa, entrou algumas vezes no quarto, na última pedindo pra irmos pra maternidade. De vez em quando a gente ouvia seu coraçãozinho batendo forte e rápido e feliz e querendo vir e dominar nossso mundo. E nas ondas de dor, muita dor. Eu só me perguntava como as outras mamães tinham força pra dançar até o chão nos intervalos entre umas dores daquelas... 

Até que finalmente depois de um exame eu ouvi da Marcleide: a gente tem que ir pra maternidade agora. E como se ela tivesse dito alguma coisa mágica, imediatamente veio o primeiro puxo. Ela dizia: vem, vamos, e eu respondia: eu preciso de ajuda. Porque não conseguia nem me levantar da cama. Papai nos levou e eu fui no banco de trás, no colo da enfermeira super poderosa, doce e dedicada que nos ajudou, filha. Chegamos na maternidade e me lembro de pouca coisa, mas de ouvir frases como "se você fizer isso ou aquilo vai acontecer assim ou assado com seu bebê, ele vai sofrer, não vai nascer saudável", vindo de outra enfermeira e do médico. Tadinhos deles. Lembro de dizer que estava tudo ótimo e que meu bebê ia nascer bem. De dizer que não queria ocitocina nem cortes. Lembro de que quando a pediatra chegou o médico meio que ficou mais calmo. Lembro de perguntar pra pediatra se você poderia ficar comigo quando nascesse e ela dizer que sim. Lembro de dizerem pra fazer força. O médico colocou então a agulha com a ocitocina. Até que lembro de seu pai dizer: faz só mais um pouquinho de força, vai.  E aí, de repente, você estava em cima de mim. De olhos abertos, depois de ter chorado um pouquinho. E eu dizia Oi, meu amor. Tudo bem? Nossos olhinhos curiosos. Os seus, andando aqui e ali, os meus, por você toda. A pediatra dizia que era bom se você chorasse mais e eu concentrada, te olhando, te decorando pela primeira vez. Mais uma vez eu sabia que estava tudo bem.  

Nosso trabalho de parto durou três horas. A Aurora da minha vida começou com você, às 00:02 de 20 de setembro de 2018. Espero que dure o resto de uma eternidade longa e feliz, e eu prometo que vou te amar a cada brincadeira, briga, birra, vitória, choro, noite sem dormir, a cada vez que eu te deixar ir pra longe pra ganhar asas e desbravar teu mundo, porque a sede de te amar só cresce. E vai se renovar a cada dia, como todo bom amanhecer.

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